quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fragmentos Filosóficos, Delirantes*


"O povo só lê, só apóia, só populariza a quem escreve a língua que ele fala"

"(...) a literatura no Brasil é mero diletantismo, a que só por irresistível pendor natural se entregam sonhadores, os quais mais naturalmente propendem para o verso, propício aos sonhos e fantasias, que para a prosa, mais amigas das realidades"

"Não há prazer que valha o prazer mental. Todos os mais são passageiros, e deixam borras amargas"

"(...) a alma da palavra é o sentido, e a sua forma apenas matéria perecível"

"E a ideia que se pretende inocular na criança é mister que vá para o livro medida e pesada com o rigor do químico, sementes que vão germinar, para o resto da vida, em terreno virgem"

"O prazer mental, porém, perfuma-nos o cérebro, irisa-o, e reconcilia-nos com a vida. Ora, é Machado de Assis o maior mestre que temos na arte sutilíssima de nos proporcionar ao espírito este prazer dos deuses. Lê-lo é arejarmos o cérebro como se abríssemos uma janela para um jardim de Armida"

"Queixam-se de que não temos literatura. Queixam-se de que o pouco que temos não é conhecido nem estimado como deveria ser. E as razões são óbvias. Não temos tido editores que ponham os livros ao alcance do povo, em edições baratas, isto é, de preço razoável e justo"

*Monteiro Lobato in "Críticas e outras notas". Ed. Brasiliense. SP. 1965.

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